ASTROSOFIA

ASTRO-FILOSOFIA - ASTROLOGIA SIMBÓLICA - ASTROLOGIA PITAGÓRICA - A CIÊNCIA DOS CICLOS OU CICLOSOFIA - ASTROLOGIA ESOTÉRICA, COLETIVA & MUNDIAL
"ASTROLOGIA PROFUNDA PARA UM MUNDO MELHOR" - CIÊNCIA & FILOSOFIA NOVAMENTE UNIFICADAS PELA SÍNTESE!"
Eis que vimos a Sua estrela no Oriente e viemos homenageá-lo." Mt 2,2 (sobre os Reis-magos astrólogos)
"Eu (acredito em Astrologia porque) estudei o assunto, e o senhor não." Isaac Newton (a um crítico da Astrologia)

Disse uma sábia, fazendo eco a Newton, que "a Astrologia não é uma questão de crer, mas de conhecer" (Emma C. de Mascheville). E este se revela o único grande problema, ou seja: o de conhecê-la de fato, coisa dificultada ora pela sutileza de seus postulados, ora pelos desvios que sobre ela se acometem a partir disto. Mas nada disto desmente a sua importância histórica, que tem norteado os rumos das civilizações por milênios, sendo mesmo hoje respeitada sábios e presidentes.
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segunda-feira, 10 de maio de 2010

A Astrologia Telúrica *


A Astrologia é uma ciência muito antiga e recebeu várias capas de leituras através dos tempos. A forma atual é uma das mais grosseiras que existem, mas ainda hoje persistem no Oriente sistemas mais avançados, inclusive sob o aspecto científico.

Por isto tampouco acreditamos na Astrologia na forma como se pratica no Ocidente moderno, e sim numa outra forma que consideramos mais original e verdadeira, que é ter na Astrologia sobretudo uma linguagem simbólica, ou seja, o registro das energias que evoluem em todos os sistema vivos dotados de consciência, inclusive em nós, e onde cada planeta simboliza os ritmos de nossas dimensões física, emocional, mental, espiritual, etc.

Estes ritmos humanos são os mesmos dos planetas devido à grande unidade que existe no cosmos, e não à "influência" de um nível sobre outro; de modo que um plano se presta a ser simbolizado pelo outro. Tudo o que existe é um unico e grande organismo, onde a estrutura do macrocosmos é igual à do microcosmos, à imagem da moderna ciência dos fractais, e tal como rezam os antigos tratados herméticos que "assim como é em cima é em baixo, para que se revele a unidade dos mundos."

Então, podemos até concordar com a ciência quando ela nega a influência dos planetas e das estrelas sobre a terra e especialmente sobre os seres humanos, ainda que no caso da Lua existe uma evidente influência física (até com certos reflexos psíquicos), entre várias outras fontes de energias que formam o equilíbrio de nosso universo.

Entende-se assim o sentimento das pessoas em relação ao tema. Acontece que existem muitos equívocos em torno da matéria, e não apenas por parte dos leigos, mas sobretudo de seus próprios expoentes. A leitura superficial de princípios herméticos como "assim como é em cima é em baixo...", por exemplo, deram margem à visões equivocadas acerca da correspondência entre os mundos, dando lugar a uma causalidade fictícia e supersticiosa.

Não obstante a crítica à tais leituras das origens, os fatos dos métodos empíricos não sofrem maiores alterações, na medida em que as energias em si existem (assim como os mecanismos verificados entre elas), surgindo porém de fontes outras, tais como do próprio homem, da humanidade e de Deus -a depender da dimensão temporal-zodiacal envolvida, e por vezes até de outras esferas veladas pelas estrelas, quando não destas mesmas.

Existe portanto realmente muita superstição e fetichismo na Astrologia. Isto é o que acontece com toda a ciência antiga que se preserva através de símbolos. Na restauração das Verdades eternas, podemos dizer que a Astrologia não está baseada antes de tudo nas estrelas, e sim em arquétipos e princípios universais (o mundo das "idéias" de Platão), que se refletem de forma perfeitamente vísivel no telurismo, se é que se pode dizer assim, ou seja, fundamentando-se fisicamente no ciclo das estações.

A psicologia dos signos reflete, justamente, a natureza destes ritmos e energias: a energia do fogo, do ar, da água e da terra, simbolizadas pelas quatro Estações, em seus aspectos de impulso, estabilização e término. Ou seja: para a coletividade, os 12 signos são, basicamente, símbolos das energias das Estações em suas três fases de início, meio e fim. As quatro Estações formam um cosmos íntegro telúrico, registrado no Zodíaco através dos 4 elementos, cujas divisões tríplices dão origem aos signos (como se sabe, os Elementos são simbolizados por triângulos). E são estes Elementos que sustentam os 4 Temperamentos contemplados na Astrologia, os quais tem sua base natural nas Quatro Estações.

Tudo isto está atualmente tão longe da nossa percepção porque usamos os signos do Hemisfério Norte, trazidos com o processo de colonialismo cultural que sofremos. Mas se adquirimos e desenvolvemos este visão original, é por sermos representantes de uma cultura destinada a se tornar universal e apresentar uma vez mais os códigos da Totalidade do Ser para a humanidade, renovados segundo as necessidades dos novos tempos.

A Astrologia sempre teve raízes telúricas, mas isto apenas é realmente lembrado quando chega a hora de reencontrar suas origens. Para reafirmar as bases dos códigos astrológicos reais para o ser humano comum, devemos empreender um estudo profundo da simbologia astrológica de acordo com os ciclos naturais, visando aplicar na prática e localmente a premissa de que "assim como é em cima é em baixo".

Por esta razão, ainda que em termos gerais se trate de Astrologia Simbólica, designamos também esta como Astrologia Telúrica, visando diferenciá-la das práticas fetichistas que geralmente existentes, e visando enfatizar as bases simbólicas e científicas desta ciência, seja em seu vínculo locais com as Estações do ano, seja por sua natureza psíquica construtiva ou iniciática. A Astrologia Telúrica é portanto um aspecto da Astrologia Mundial, numa aplicação simbólico-naturalista do tema, tendendo para uma cosmologia estruturante e científica. Tratemos de aprofundar no entanto os preceitos originais desta doutrina.

O Tempo Cíclico

Existem linhas de investigação científica que não são exploradas no mundo moderno, mas que eram amplamente contempladas pelos antigos. Da mesma forma, existe à margem da metodologia moderna, um amplo espectro de manifestações culturais apenas acessíveis pela experimentação direta, o que faz da atual uma cultura grosseira e de segunda mão. A única experiência de primeira mão é aquela que une o experimentador ao experimentado -coisa que a ciência moderna começa a valorizar. Estamos falando da observação e da experiência de processos pessoais com energias.

Diremos pois que o tempo cíclico nada mais é que a classificação do tempo segundo suas divisões matemáticas, de ordem propriamente cronológica (dias, anos), espacial (graus) e geométrica (formas), atribuindo a cada divisão e ao seu conjunto, um conteúdo ontológico específico, segundo a natureza de cada segmento.

Existem inúmeras estruturas no cosmos; algumas a nível de arquétipos, como de natureza matemática e geométrica, as quais atuam sobre as substancias, determinando, por exemplo, o padrão regular dos cristais, como aqueles de 6 lados (quartzo). Na natureza, este padrão também está presente no arco-íris, e como arquétipo no sólido regular que é o cubo, como ainda no ciclo espacial das esferas, refletido no sistema solar a nível de planetas visíveis, enfim, o conhecido canone setenário.

Deste conjunto de dados físicos ou espaciais, naturalmente pode resultar divisões paralelas no tempo, e a equiparação dos diversos sistemas de divisão pode trazer dados em comum.

O resultado completo pode produzir um esquema semelhante à da "Pedra do Sol" asteca (ver Revista Órion n° 3, pg. 8), com suas muitas divisões, e considerada a mais completa súmula calendárica existente. Esquemas e inventários semelhantes existem em outras parte do mundo, na forma de mandalas complexas, embora geralmente se dividam em setores ou grupos as várias possibilidades de divisão do tempo.

Astrologia Natural e Espiritual

Nos mitos astrais gregos, aparentemente é a Astronomia que é focalizada, mas quando esta se reúne ao Mito temos já uma concepção astrológica. Trata-se pois de projeções simbólicas dos ciclos astrais, que podem ser distribuídos pelas sucessivas camadas do cosmos, segundo as várias divisões possíveis do tempo. Se tomamos a "Pedra do Sol" asteca, encontramos ali um calendário "cheio", da natureza da mandala, com divisões que vão quase desde o centro até a periferia da circunferência, em sucessivas fases ou camadas. Sabemos também como os próprios deuses tem sido associados aos signos astrológicos em diversos níveis.

E quando observamos a importância que a Astronomia apresenta para a Astrologia, sobretudo em Zodíacos como o Ocidental, imaginamos que a relação entre ambos é indissolúvel, e que sua concepção seja o fruto de superstições ou, senão, de uma capacidade ímpar de observação e até de raciocício.

Talvez esta relação seja assim intensa, mas de uma forma diferente a como pretende colocar o vulgo. Na verdade, a estrutura astrológica apenas chega até os dados astronômicos através de fórmulas matemáticas. De modo que as estrelas sejam em princípio, apenas reflexos ou referências dos ciclos abstratos ou estruturais. Esta é uma aplicação da filosofia de Platão de que as "idéias" estão acima de tudo e precedem as coisas manifestadas.

Ao mesmo tempo em que concluiu investigações sobre fenômenos naturais e cíclicos, relacionados especialmente ao clima e às estações, o ser humano percebeu que, no plano espiritual, as energias se apresentam numa ordem semelhante. Algo como quando os cientistas modernos dizem que as mesmas leis regem todos as partes do universo.

É claro que a correlação sazonal não "explica" por sí só a existência dos signos, embora tenha bem mais elementos para isto do que as distantes constelações, desde o ângulo de visão do homem comum. De outra forma, nos povos aculturados por outros hemisférios não se poderia manter os mesmos padrões. As verdadeiras causas são mais profundas e alcançam a dimensão espiritual.

O tempo, enquanto gestor de energias -psíquicas, se assim se quer- plantadas na terra, seja pela natureza, pela humanidade, por Deus ou pelo próprio indivíduo -e isto confere quatro níveis de energias- o tempo, se desdobra em ciclos de acordo com as estruturas matemáticas inerentes ao cosmos.

O Mito do Eterno Retorno

Apreciador do orientalismo e da cultura grega, Nietzsche tinha no entanto uma visão romântica e ingênua do "eterno retorno", ao qual dedicou trabalhos, posto imaginar que os fatos se repetem literalmente de maneira cíclica, e não em termos gerais como seria o correto. Na verdade, este êrro é comumente observado na ótica popular do tema, mas nele não incorrem os verdadeiros iniciados. Não obstante, sequer o exemplo dos dias e das estações alimenta esta visão, posto que estas se acham inseridas em ciclos maiores (séculos, milênios, glaciações, etc.) que também modificam algo imperceptivelmente a natureza dos ciclos.

A verdadeira idéia do tempo cíclico era corrente entre os Antigos, e mesmo as religiões ocidentais como a judaico-cristã, que prevê esta concepção ao acatar o fato de que existiu um dia um Paraíso, e que este deverá voltar a existir em algum momento futuro.

Por isto seria importante conhecer mais estas questões, investigando tudo aquilo que a Bíblia ensina, mas também conhecendo as idéias e as práticas das antigas civilizaçõs que alimentavam noções semelhantes. Daniel interpreta de forma cíclica as visões de Nabucodonosor, e também apresenta um ciclo famoso -o da Fênix- através de sua "setenta semana de anos", ciclo que se aplicou na verdade nada menos que duas ou três vezes ao templo de Jerusalém e ao povo judeu.

O mundo moderno não sabe bem compreender e classificar as civilizações antigas. A forma como se costuma dirigir a estas construções culturais -que geralmente são magníficas, tal como existiram há partir de cerca de 5 mil anos, gerando a própria estrutura de civilização na qual ainda vivemos -é uma visão sempre deformada e parcial. Muitas vezes se trata de julgar as antigas concepções por aquilo que delas restou em tempos mais recentes, trazendo inevitavelmente, devido ao passar dos milênios, uma condição decadente. Por este critérios, os conceitos de urbanismo, Estado e calendário deveriam ser colocados também de lado, juntamente com outras manifestações culturais da época como a monarquia e a astrologia. Mas quantos desejariam isto?

Uma das atribuições correntemente dadas à estas antigas culturas, é que eram, de um modo geral, místicas, ou mesmo muito religiosas, com cultos variados e, portanto, panteístas. Diz-se assim ao se perceber que, ali, todas as coisas estão envoltas pela aura do sagrado.

A grande verdade, no entanto, é que os Antigos não faziam distinção entre as várias instituições e as disciplinas em geral, e portanto entre aquilo que hoje distinguimos como sagrado e profano. O homem ocidental permanece numa situação de sacralizar algumas coisas e profanizar outras, gerando uma dualidade interior irremediável e doentia, que tem entre suas conseqüências a enfermidade individual, coletiva e planetária.

Esta antiga integridade universalista foi o que deu, afinal de contas, a imensa longevidade verificada nestas civilizações. Se devêssemos classificar estes povos de místicos, deveríamos antes esperar vê-los como ascetas errantes e sem estrutura material com dom de perdurar e expandir, como arquitetura e mesmo capacidade militar. Não é porém o que geralmente se observa, e certamente uma visão isenta pode nos encher de inveja daquelas sábias civilizações e desejar o retorno daqueles padrões unificados de cultura.

O Panteísmo e a Verdade Eterna Universal

Os antigos se inspiravam pois na idéia de que tudo está essencialmente unificado, e desta forma, todas as coisas se revestiam também de uma auréola sagrada, dando a sensação, real ou fictícia, de que eram panteístas, quando na verdade havia uma unidade. O material estava impregnado pelo espiritual, mas também inversamente. Por isto os gregos, para quem a matéria era animada, tinham dificuldades de conceber o que chamamos de "Deus invisível".

Com certeza, qualquer Deus que existisse desta forma, em algum momento teria se manifestado na Terra, tal como os cristãos aceitam as palavras de Jesus quando diz que permaneceria com eles apesar de "subir aos céus". Assim, talvez estes antigos filósofos até alimentassem concepções religiosas semelhantes (não todas: os gregos desprezavam a idéia da ressurreição física, por exemplo). Mas também é possível que conceitos como onipresença, onisciência e onipotência, apontassem antes à capacidade quase "ilimitada" e despreconceituosa de compreensão que manifestam os sábios de Deus, assim como sua abrangência intelectual e espiritual, sinal de seu poder sobre as energias em geral. O próprio conceito de "transcendência" significa aqui a superação dos opostos e a geração de um campo novo e superior de consciência, como velam muitos mitos de criação.

É possível que o universalismo original tenha se decaído e agravado com o tempo, assumindo aspectos realmente idólatras, fetichistas e supersticiosos. Mas no princípio estas manifestações pertenciam a uma hierarquia de deuses que remontavam senão a uma unidade, como entre os egípcios e budistas, certamente a uma trindade, como no caso dos hindus.

O fato é que, através disto, estas tradições teriam a capacidade de abranger a totalidade das energias e a circularidade do tempo cósmico. Por esta razão, a forma como elas denominam a sí próprias é de "Tradição Perene" -tal como no verdadeiro nome do Hinduísmo, Sanat Dharma, ou "Lei Eterna". Vemos uma expressão doutrinal semelhante no Cristianismo através da rica simbologia do Apocalipse de São João, e até uma idéia semelhante, a nível de profecia, onde diz que o Cristo aparece com um "Evangelho Eterno", o qual, a nosso ver, pode ser o próprio Livro do Apocalipse, uma vez que este "novíssimo testamento" contempla realmente, na sua estrutura, a globalidade das energias cósmicas, confluindo diretamente com outras profecias do Oriente. O paraíso hindu de Visnhu, Vaikuntha, e o céu budista Tushita, apresentam conformações idênticas à Jerusalém celeste.

Esta concepção maior poderia ser aquilo que definimos como a Verdade, fundadas sobre energias universais, e pano de fundo para manifestações menores, entre elas as religiões e os credos específicos. Por isto os Brahmanes da Índia tem a sua formosa máxima de que "Não existe religião superior à Verdade." Exemplo deste universalismo está também em que o Hinduísmo foi capaz de englobar a figura do Buda entre seus Avatares, entendendo a validade do papel reformador & inovador de Gautama.

Uma das grandes bases desta doutrina está pois na Astrologia como inventário das energias cósmicas, na evolução dos ciclos dentro de fórmulas matemáticas definidas. A Astronomia é apenas uma construção posterior, destinada a gerar uma linguagem simbólica e uma ciência de correlações entre o espiritual e o físico; apenas mais tarde, com a perda deste saber, é que se passou a pensar que as estrelas enviavam energias para a Terra, gerando uma superstição que a Ciência moderna combate com boa dose de razão.

Estes saberes eternos estão edificados sobre princípios imortais, especialmente da matemática, ao qual Pitágoras e Platão (também reduzidos a "místicos" modernamente) davam amplo valor. O mundo moderno já possui evidências sobre a correlação entre a geometria natural e a formação do universo, desde o nível das células e até do sistema solar.

Do Temor Religioso

A Astrologia não é aquilo que parece e nem aquilo que parece é a Astrologia. No entanto ela é uma doutrina tradicional e eterna. Não fosse assim, não estaria presente na Bíblia do começo ao fim. É claro que a civilização judaico-cristã trata com muita parcimônia e temerosidade o assunto. Existe um preconceito generalizado, embora este véu tenha sido levantado em muitos momentos. Mas, desta forma, seus próprios símbolos adquirem uma conotação indesejável de idolatria. Porque cultuar tanto o número 12, por exemplo, se ele não apresenta uma função universal?

O fato é que os judeus sempre tiveram muito temor da idolatria, por estarem cercados por culturas dotadas de alto grau de fetichismo: touros alados, pirâmides, deuses... E foi por sucumbir a isto que a nação hebraica tantas vezes perdeu seus rumos. Mais tarde, os cristão, além de herdarem estas tendências, adentraram numa época do mundo em que as ciências positivamente não tinham muito lugar: a Era de Peixes.

Não obstante, o verdadeiro sentido da Astrologia em nada afronta aos postulados espirituais. Trata-se porém de um saber que, visto em sua forma original, supera o sentido religioso tradicional, porque vem depois (e através) dele. Mas, para isto, é previso conhecer a verdadeira doutrina, aquela que não tem relação com fenômenos materiais e trata antes com energias puras, de tal modo que diríamos ser irmanada à angeologia, à cosmologia e até à alquimia enquanto construção espiritual. A Astrologia empresta a estas a sua linguagem, recolhida às vezes da Astronomia, porquanto emprega os planetas como demarcadores do relógio cósmico.

A Mecânica Zodiacal e seus Níveis

Denominamos Princípio de Determinação dos Ciclos (PDC) à conjunção criadora existente no universo entre estrutura e poder. Os ciclos são na verdade sub-ciclos de uma energia de síntese que abrange o conjunto do ente em mutação.

Assim, o horóscopo pessoal é uma derivação da energia social e solar dominante numa dada época do ano. Comumente, o artista é revelador da energia que está por detrás de certo momento da evolução.

A evolução do Ente representa o desenvolvimento das estruturas do Ser até a sua completa integração, através de sucessivos ciclos chamados de iniciações. O Ser é o Raio eterno e original do qual o Ente é uma manifestação temporal. Astrologicamente, aquele está representado pelo Sol, expressão do Logos, e este pela Lua, expressão da Psiquê (Ego). Assim, os planetas do horóscopo são sub-raios do raio-matriz. E a unidade deste ciclo pode ser vista como os 72 anos do grau do ano cósmico, representando um período existencial padrão.

Cada indivíduo representa uma derivação de uma energia maior identificada à evolução coletiva. O Zodíaco anual, também associado à Lua (13 meses), representa a dinâmica da evolução grupal, sob a qual o ser humano nasce (e neste esquema o Sol não é a unidade, mas a diversidade, representada outrossim pela Lua). O ciclo de nove meses da gestação humana se vincula ao ano lunar, embora este elo seja mais objetivo em relação ao calendário sagrado mexicano de 260 dias (Tzolkin, Tonalpohualli). Ao nascer, todo o homem é fruto da evolução coletiva, e não possui ainda uma individualidade. Nascido como um Ente, deve realizar uma evolução até chegar à indivuação do Ser.

O Ascendente dá por sua vez os sub-ciclos da Personalidade, que integram no seu conjunto à Alma. Por fim, temos o Zodíaco Domal (Sistema de Casas) para o Corpo Causal. Com isto temos os quatro zodíacos, ou um plano multi-nível de evolução:

a. Uma unidade logóica = os 72 anos do grau do Ano Cósmico
b. Uma unidade monádica= os 365 dias do ano Solar
c. Uma unidade egóica = os 29 dias do mes Lunar
d. Uma unidade personal = as 24 horas do zodíaco diário ou Domal
Resumo

Todas estas ciências tradicionais estão baseadas em dois fatores: forma e essência, atuando no tempo e no espaço. De um lado a estrutura, que é matemática e geometria, e de outro a substância, que é energia e consciência. Ao se manifestar no universo a energia percorre ciclos matematicamente definidos.

A Astrologia pouco tem a ver portanto com influência de estrelas, representando antes o inventário das energias divinas e das transformações que recebe ao se manifestar no mundo. De resto, a Astrologia está relacionado às Estações do ano, existindo uma relação direta entre o clima e o caráter, de modo que, num clima variado, o caráter humano também será versátil e flexível, expressando um cosmos humano apto à evolução superior. Esta é uma das bases do conceito racial na Tradição de Sabedoria. Neste apecto, tempo e espaço, geografia e astrologia são inseparáveis. Mas é a força espiritual que determina a qualidade desta evolução, pois não existe sinfonia sem maestro.

Vários calendários usavam inclusive elementos geográficos na sua composição, como é o caso do sistema inca de seques que dividia os arredores de Cuzco como um Zodíaco, de modo que o imperador Inca interagia com cada setor num período do ano astrologicamente determinado.** Os preceitos de geografia sagrada estavam pois fortemente determinada ali pelos aspectos calendáricos.

* Revista Órion de Ciência Astrológica, nº 11, FEEU, P. Alegre, RS.
** O tema é especificamente abordado neste site.

Luís A. W. Salvi é escritor holístico, autor de cerca de 150 obras sobre a transição planetária.
Editorial Agartha: www.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.com.br
Fone (51) 9861-5178

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