ASTROSOFIA

ASTRO-FILOSOFIA - ASTROLOGIA SIMBÓLICA - ASTROLOGIA PITAGÓRICA - A CIÊNCIA DOS CICLOS OU CICLOSOFIA - ASTROLOGIA ESOTÉRICA, COLETIVA & MUNDIAL
"ASTROLOGIA PROFUNDA PARA UM MUNDO MELHOR" - CIÊNCIA & FILOSOFIA NOVAMENTE UNIFICADAS PELA SÍNTESE!"
Eis que vimos a Sua estrela no Oriente e viemos homenageá-lo." Mt 2,2 (sobre os Reis-magos astrólogos)
"Eu (acredito em Astrologia porque) estudei o assunto, e o senhor não." Isaac Newton (a um crítico da Astrologia)

Disse uma sábia, fazendo eco a Newton, que "a Astrologia não é uma questão de crer, mas de conhecer" (Emma C. de Mascheville). E este se revela o único grande problema, ou seja: o de conhecê-la de fato, coisa dificultada ora pela sutileza de seus postulados, ora pelos desvios que sobre ela se acometem a partir disto. Mas nada disto desmente a sua importância histórica, que tem norteado os rumos das civilizações por milênios, sendo mesmo hoje respeitada sábios e presidentes.
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quinta-feira, 22 de julho de 2010

UM LEGADO ASTROLÓGICO

por Cláudia B. Alves *
Pitágoras e a geometria

A visão corrente percebe o funcionamento astrológico a partir das influências dos astros. Contudo, há também uma explicação ligada à matemática, e que serviria de base para o famoso aforismo de Hermes Trismegisto sobre a unidade dos mundos: “Assim como é em cima é em baixo, assim como é em baixo é em cima, para demonstrar o milagre da unidade das coisas.” (A Tábua de Esmeraldas)

Sólidos patônicos e Elementos
Então, porque não repensar os fundamentos da Astrologia tomando por base referenciais numéricos e matemáticos?
Tem-se entendido esta Ciência-Arte em termos simbólicos, considerando, quase sempre, as qualidades representadas pelos signos, planetas e casas, associando-as a conflitos de personalidade que se tornaram uma constante, dentro de um modelo de vida desprovido de valores essenciais ao reconhecimento de quem verdadeiramente somos.

As órbitas geométricas de Kepler
Considerando as dificuldades que permeiam todas as dimensões da vida quando perdemos contato com o princípio ordenador e, até mesmo, com o propósito de nossa experiência existencial, é natural que nos detenhamos enfaticamente numa abordagem astrológica que leve em conta, acima de tudo, a psicologia individual. Afinal, estamos tentando resgatar a nós mesmos, não é verdade?
Neste contexto, poucos estudiosos do tema deitam seu olhar sobre as bases matemáticas que são, de fato, as referências estruturais sobre as quais se construiu todo um conhecimento acerca da Criação e de seus ciclos, entendimento este que, ao longo do tempo e de uma forma bastante reducionista, culminou no que conhecemos hoje por Astrologia.

Para compreendermos este processo, precisamos nos reportar as origens de nossa cultura. O pensamento egípcio, o hindu e o grego diferiam em muito do nosso. Toda a filosofia-ciência destes povos beirava níveis de abstração e profundidade que só nos foi possível adentrar através de recursos tecnológicos, que permitiram o acesso a níveis mais profundos da criação -veja-se por exemplo a física quântica. No entanto, estes investigadores que antecederam em muito a era cristã, conceberam o átomo, nos legaram os algarismos arábicos, o sistema decimal, a noção de seno, o valor de “Pi”, a importantíssima notação para uma posição vazia – o zero-, etc...
Calcularam com precisão eclipses, solstícios, a esfericidade da Terra e sua revolução diária em torno do eixo, antecipando em muito a “descoberta” renascentista. Daí, entende-se porque se detiveram na Astrologia levando em conta, primordialmente, suas bases matemáticas e a própria geometria.

O Mavantara/Pralaya e as Yugas

Ainda que a forma de pensar e conceber a vida hoje se faça imediatista e imponha os limites de sua concretude –o que dificilmente poderia ser diferente, considerando o cartesianismo e o materialismo peculiares aos nossos processos mentais–, é importante que retomemos, ao menos, algumas noções estruturais de nossos antecessores.
A percepção cíclica do tempo apresenta chaves relevantes para a compreensão da Criação em seus diferentes momentos. Os Hindus, no Oriente, e os Maias, no Extremo-Ocidente, legaram-nos a concepção dos grandes ciclos astronômicos. Dos primeiros herdamos a doutrina do Manvantara, um período de 4.320.000 anos (conhecido como o Dia de Brahma -Deus hindu responsável pela Criação do universo) no qual a criação se manifesta paulatinamente e que é sucedido por outro período de igual dimensão denominado Pralaya (ou a Noite de Brahma), quando a vida, em seu aspecto manifestado, recolhe-se, “deita sobre si mesma”, tornando-se imanifesta.
O "Circumponto"
O número 4.320.000 é aparentemente inapropriado pela sua quase infinitude, mas submetido a uma chave de conversão (sua divisão por 360)(1) transforma-se no período de 12 mil anos, que multiplicado por dois –Manvantara & Pralaya– resulta em 24 mil anos, ou seja, aproximadamente 26 mil anos, o conhecido Grande Ano de Platão. Assim, tangenciam-se os períodos e podemos perceber a semelhança entre a concepção hinduísta e a platônica (grega) deste grande ciclo estrutural.(2)

As "Idades Metálicas"
Se, durante a Noite de Brahma, o Deus hindu descansa e o “mundo” deixa de se manifestar, encontrando-se latente até o próximo período de manifestação –uma vez que Manvantara e Pralaya se alternam sucessivamente–, ao longo do Dia de Brahma sucedem-se as famosas Idades do Mundo: Idade de Ouro, Idade de Prata, Idade de Cobre e Idade de Ferro.(3) É dito que na Idade de Ouro, o conhecimento e a sabedoria encontram-se amplamente difundidos, o ser humano experimenta a plenitude e a realização em todas as dimensões da vida. À medida que passa pelas sucessivas Idades se perde o conhecimento e, paulatinamente, a consciência do ser torna-se obscurecida. Hoje, apregoa a tradição, estamos presenciando a transição da Idade de Ferro (o mais obscurecido período, conhecido entre os hindus como Kali Yuga), para uma nova Idade de Ouro.
Observa-se, assim, uma periodicidade na qual a humanidade experimenta desde a sua mais elevada expressão e potencialidade, até a mais completa decadência e desintegração. Na grande trasição (aquela que vivemos hoje), um período extremado de materialismo e entropia, opõe-se outo marcado por grande espiritualidade e coerência.

Varnas ou castas
As Idades da Terra foram associadas, na tradição hindu, às diferentes Castas, divisão social típica de suas sociedades tradicionais. Deste modo, à Idade de Ouro vincula-se a casta dos sacerdotes (Brahmanes); à Idade de Prata, os guerreiros (Kshatryas); à Idade de Bronze, os comerciantes (Vaishyas) e à Idade de Ferro, o proletariado (Sudras). A idéia é de que em cada Idade dever-se-ia adotar uma forma de organização social e estrutural relacionada à Casta proeminente naquele período. A entrada em uma nova Idade de Ouro, então, seria um momento adequado a um governo de homens e mulheres sábios e de índole altruísta, portadores de esclarecimento e fomentadores da educação, especialmente voltada para a espiritualidade.
Compreendemos, assim, a importância de retomar esta percepção cíclica do tempo e das diferentes qualidades/propriedades expressas nele, a fim de que, com maior elucidação, possamos nos realinhar a padrões outros que nos levem a um estado de maior integração pessoal e social.

A Era Solar de 5 mil anos
Cabe reportar-se, ainda, a outro ciclo muito utilizado pelos Hindus e pelos Maias. Trata-se de um período de tempo bem menor em relação aos anteriores, mas tão importante quanto ele, e no qual também se pode abordar a passagem das Idades do Mundo. É conhecido como Era Solar, sendo que para os Maias comporta 5.200 anos, enquanto para os Hindus é arredondado para 5.000 anos, o que facilita a sua divisão por quatro e, conseqüentemente, a apresentação das quatro Idades da Terra, cada uma com 1.250 anos. Os duzentos anos que restam, são tidos como um período de transição entre uma Era Solar (que finda com a Idade de Ferro) e a próxima (que inicia com a Idade de Ouro) e são chamados de Idade Adamantina ou Idade do Diamante (Vajra Yuga em sânscrito).(4)
O Kalki Avatar
A última Era Solar teve início em 3.113 a.C. (segundo a cultura maia) ou 3102 a.C. (de acordo com a tradição hinduísta), de modo que está sendo agora encerrada, pois de seu começo até aqui soma-se mais de cinco mil anos. Estamos, então, na Idade do Diamante, período tenso no qual se chocam luz e escuridão, unidade (compaixão) e separatividade (egoísmo), discernimento e ignorância. Nele os grandes Mestres ressurgem, reascendem a chama do conhecimento e apontam o caminho da iluminação, a fim de que possamos adentrar em uma nova Idade de Ouro, dando início a outra Era Solar.
Como se percebe, uma Era Solar sucede a outra, porém não se veja nisto um padrão repetitivo, mas sim um processo que acontece, pode-se dizer, dentro de uma espiral em ascensão, relacionado com a formação das Raças e das Rondas, o que seria objeto de outro estudo, dado a complexidade do tema. Relevante, por ora, é o entendimento de que em cada Era Solar a humanidade se aprimora, recebendo novas iniciações.
Cabala e geometria
Salientamos, contudo, que nos dois ciclos mencionados (o Manvantara de 4.320.000 anos e a Era Solar de 5 mil anos) procede-se, hoje, a uma transição de grande significado, considerando a evolução da humanidade como um todo. A tradição esclarece, através do simbolismo expresso em ambos ciclos, que estamos tendo a oportunidade de nos realinhar com o padrão civilizatório de uma nova Idade de Ouro. É um momento histórico único, no qual um ciclo soma-se ao outro, apontando na mesma direção, ratificando a tônica do período.
Gostaríamos de finalizar considerando, ainda, a importância de ter em mente a coexistência de diferentes padrões cíclicos, procurando, assim, perceber a possibilidade de interpretações astrológicas diversas entre si: Védica, Ocidental, Chinesa, Maia, Tibetana, etc..., todas válidas, se conseguirmos nos afastar um pouco da concretude de nosso pensamento, que leva a exclusões, e nos reportarmos à capacidade de abstração desenvolvidas em outros momentos históricos –que pertence por legado aos homens e mulheres de nossos dias– e cuja retomada se faz imprescindível, a fim de que possamos viver mais livres, íntegros e em paz.

"Possam os reis reinar só para o bem dos súditos!
Possa a divina Saraswati, a fonte da linguagem e
A deusa da arte dramática,
Ser sempre honrada pelos grandes e pelos sábios!
E possa o purpúreo Ser Supremo,
Cuja energia vital penetra todo o espaço
De futuras transmigrações salvar-me a alma!"
Kalidasa, Shakuntala

* Cláudia B. Alves é astróloga e artista plástica. e-mail: claubeal&yahoo.com.br
1. Chave utilizada por Luis Augusto Weber Salvi (no artigo “A Roda do Tempo”, Revista Órion de Ciência Astrológica, n° 07, pág. 20/24, FEEU) –e que se relaciona aos 360 graus da circunferência, forma geométrica amplamente empregada para simbolizar o tempo e o espaço, conectando o centro e a periferia.

2. Importante recordar que se dividirmos 26 mil anos pelo número doze (referente aos signos), chegamos aos 2.160 anos que perfazem cada uma das Eras Astrológicas, atentando para o fato de que hoje vivenciamos a tão esperada Era de Aquário.
3. Os gregos foram os divulgadores no Ocidente do conceito das chamadas "Idades Metálicas", isto é, da associação entre as Idades do Mundo e os metais, como símbolo do padrão cultural destes períodos. Exemplo: o ouro, como símbolo da Idade mais nobre, é o metal mais estável e duradouro, ao passo que ferro, como símbolo da Idade menos nobre, é o metal mais suscetível e perecível.

4. Esta divisão é a ótica de escolas como a dos Brahma Kumaris da Índia, sendo que o ciclo de 1260 anos encontra respaldo também nas “Idades divinas” em Joaquin di Fiori. No entanto, Luís A. W. Salvi terminaria por enfatizar uma divisão efetivamente milenarista do tempo das Idades, para incluir uma quinta idade verdadeira (presente em vários autores e tradições) e também de transição: a "Grande Idade Adamatina" –ver a matéria “Estruturas principais da Raça-raiz” (n.E.).

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