ASTROSOFIA

ASTRO-FILOSOFIA - ASTROLOGIA SIMBÓLICA - ASTROLOGIA PITAGÓRICA - A CIÊNCIA DOS CICLOS OU CICLOSOFIA - ASTROLOGIA ESOTÉRICA, COLETIVA & MUNDIAL
"ASTROLOGIA PROFUNDA PARA UM MUNDO MELHOR" - CIÊNCIA & FILOSOFIA NOVAMENTE UNIFICADAS PELA SÍNTESE!"
Eis que vimos a Sua estrela no Oriente e viemos homenageá-lo." Mt 2,2 (sobre os Reis-magos astrólogos)
"Eu (acredito em Astrologia porque) estudei o assunto, e o senhor não." Isaac Newton (a um crítico da Astrologia)

Disse uma sábia, fazendo eco a Newton, que "a Astrologia não é uma questão de crer, mas de conhecer" (Emma C. de Mascheville). E este se revela o único grande problema, ou seja: o de conhecê-la de fato, coisa dificultada ora pela sutileza de seus postulados, ora pelos desvios que sobre ela se acometem a partir disto. Mas nada disto desmente a sua importância histórica, que tem norteado os rumos das civilizações por milênios, sendo mesmo hoje respeitada sábios e presidentes.
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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Astrologia: Mito & Realidade*


aO LADO: A. Cellarius, Harmonia Macrocosmica Amsterdam 1660
Uma cultura em transformação rapidamente derruba dogmas, crenças e mitos, para não raro os repôr em outro lugar. Crenças atávicas são questionadas e o consenso foge dos horizontes. O que existe de verdade em certas crenças antigas como a da Astrologia? Como responder a esta questão em nossos dias, e quais respaldos a ciência oferece a tal doutrina?

Com o avanço da ciência, as próprias concepções esotéricas vêem-se não raro corroboradas, quando não esclarecidas. Por sua vez, elas trazem consigo todo um complexo código de informações cifradas, aptas a permitir a integração de um novo cânone científico, desta vez pleno e integral. São estes os efeitos visíveis do emerente signo das "paralelas cósmicas" –Aquário– em nossa evolução mundial.


Como prova disto, podemos já refazer aquela clássica pergunta, obtendo quiçá agora a resposta devida através de sua equilibrada elucidação:

"- Afinal, quem teria razão nesta extensa polêmica: os detratores de Ptolomeu, ou os entusiastas desta fascinante, polêmica e tão incompreendida arte -a Astrologia?"

Um Dilema Cultural Moderno

Raramente alguém se posicionará a meio termo entre ambas as colocações, e no entanto, é exatamente isto que buscaremos realizar aqui, uma vez que compreendemos que ambas as partes tem parcela de razão, mas também de engano igualmente -visto, é claro, em termos "históricos", e não da ótica ideal de cada sabedoria. Pois, se de um lado denunciamos o excessivo rigôr e a ignorância dos críticos, de outro lado atestaremos a ingenuidade e a inexperiência de seus apologistas. Quem sabe, pois, se a verdade não se encontra em algum campo de idéias ainda pouco explorado pela raça atual, e cujo conhecimento virá porventura a trazer por fim uma síntese de concepções para o uso comum e realmente evolutivo?

Buscaremos investigar o tema e sugerir a sua possível solução, a partir da análise crítica direcionada às questões que centralizam as posições de ambos os lados, buscando então recolocar as coisas sob a ótica original que daria origem a tais questionamentos ou crenças.

Primeiramente, o que caracterizaria a postura dos céticos? É sabido que a crítica mais recorrente dirigida contra a Astrologia surge em torno da questão da existência dos Signos e seu suposto vínculo com as constelações, especialmente naquilo que diz respeito à evolução do movimento precessional e a pretensa "defasagem" que isto causaria na focalização dos arquétipos espaciais.

E de outra parte, temos no lado dos adeptos uma certa interpretação de conhecido preceito hermético que afirma a analogia entre o superior e o inferior, a qual forneceria assim o substrato doutrinal para uma suposta sincronicidade entre os mundos, senão apontando uma causalidade de "influências".

Pois bem. A resposta que a Tradição Primordial tem a oferecer a fim de eliminar esta contenda, revela que ambas as partes tem parcelas de erro e de acerto, possibilitando talvez o encontro de um campo comum, quando devidamente assimilado, já que na realidade ele não se encontra mesmo distante daquilo que a Ciência e a Religião procuram tão tenazmente, porém sem sucesso, porquanto sozinhas e isoladas como se encontram.

Diria daí a Tradição aos céticos, acerca do Zodíaco sideral, que assim como existe um duplo-sistema (Casas & Zodíaco) em relação à evolução humana individual, o mesmo também ocorre no tocante ao desenvolvimento racial, coletivo ou planetário, de modo que pode-se acrescentar um sistemas de casas "cósmicas" sobre o Zodíaco sideral fixo das Constelações com as quais se encontra tradicionalmente associado, e que permanecem desta forma incólumes a qualquer sobreposição. Esta realidade seria amplamente explorada pela insígne astróloga Emma Costet de Mascheville, que, com sua orientação simbolista e esotérica característica, deu uma outra conotação ao chamado Zodíaco Sideral.

E aos seus seguidores, por sua vez, teria a Tradição a lembrar que o axioma hermético aludido ("assim como é em cima é em baixo"), faz antes de tudo o mais, referência "apenas" à existências destas mesmas estruturas análogas a serem observadas entre as diferentes escalas de consciência, no caso, macrocósmica e microcósmica, ou coletiva e individual se assim se quer (tal correspondência equivale à idéia de que o homem é feito à imagem e semelhança do seu Criador cósmico, um seu modelo univérsico.). O que, vale dizer, não faz qualquer alusão direta a um suposto processo causal de natureza mântica ou divinatória, e sequer a uma "sincronicidade" (como no dizer de C. G. Jung), mas sim uma correspondência analógica mas atemporal, alusiva que a evolução do Todo é semelhante à evolução da Parte –mais ou menos como também a moderna holografia formula– e não exatamente que tudo o que aconteça no superior venha a refletir-se de alguma forma no inferior ou vice-versa, na foma de influência direta; embora em certa medida isto possa vir a ocorrer, mas não necessariamente de forma causal como pretendem os "práticos".

Eis então que o espanto toma conta das partes, e ambas perguntam-se entre si: –Afinal, de que se trata, e o que significa "um outro Zodíaco independente de Constelações", ou o que representa uma "identidade estrutural analógica e não propriamente mântica"? E poderá ser já um progresso se os homens se aproximam nas dúvidas, do que se afastem separados por certezas ou crendices frágeis e dogmáticas.

Sucede daí, que a resposta para tudo isto, e que representa a correção de ambas as posições ao permitir recolocá-las naquilo que observam de real e em linha de convergência, reside na compreensão de um Princípio que pode por vezes parecer sutil ou amplo demais para possibilitar a sua apreensão e abarcar uma experiência histórica, mas que, ainda assim, subjaz de qualquer forma em todos os processos evolutivos e sobretudo humanos. Trata-se, pois, da observância dos conteúdos conscienciais. Uma possível forma de compreender isto, é considerando-se o aspecto qualitativo ou hierárquico dos números em seu papel de Arcanos, e não apenas como meros referenciais quantitativos e lineares.

É a presença deles, precisamente, que dá ao Zodíaco uma natureza arquetípica e multinível, por um lado, e ao mesmo tempo permite a elaboração de uma analogia entre o superior e o inferior, entre o coletivo e o individual, mas onde também o espaço cósmico tende a ser empregado antes de tudo como uma mera referência simbólica, não mais importante que um imenso relógio a demarcar a evolução dos ciclos cósmicos com suas miríades de seções, e não propriamente um foco real de influências externas sobre o mundo e a humanidade, ainda que, de alguma forma, este nível também se apresente em determinadas situações.

Assim, a Astrologia apenas propõe, o homem dispõe; A astrologia mostra a estrada, o homem decide como seguí-la. A Astrologia apenas revela a natureza das leis que regem a evolução dos tempos, independente de conotações morais. São, nisto, exatamente como ferramentas, cujo uso depende unicamente daquele que as emprega.

Mas é sua natureza analógica que permite na verdade o aspecto mântico desta ciência, mesmo porque a percepção de uma estrutura matemática completa, possibilita de fato eventualmente o prognóstico, assim como a estimativa do pretérito; da mesma forma que aquele que conhece as estações, compreende aquilo que está por vir e o que já tem sucedido até então.

E o mesmo se aplicaria então aos planetas físicos, que serviriam porém, neste caso, sobretudo como elementos de linguagem analógica em referência a realidade arquetípicas; e que apenas imperfeita e temerariamente poderiam aludir às próprias situações evolutivas físicas; sempre mutáveis que são, como tudo o que existe no universo manifestado.

É esta então, a abordagem que empresta ao tema a Astrologia Esotérica.

A reflexão acerca desta realidade, que começa agora a ser compreendida pela Ciência que inicia a valorizar os conteúdos subjetivos da percepção na elaboração do real, é que trará um dia à civilização um consenso geral e a verdade efetiva acerca dos fatos, uma vez que desta forma se virá a alcançar a compreensão do Todo através da manifestação das Partes em sua recorrência cíclica. É aqui também onde a Astrologia ("todo"), com base na Cosmologia ("partes") se aproxima da Alquimia e justifica a identidade da linguagem comum a ambas as doutrinas.

É imperativo portanto, que a Astrologia volte às suas raízes, a fim de conceder a vital contribuição ao universo cultural humano que somente ela se encontra capacitada a fazer, da maneira mais plena e didática.

E com isto, pode-se estimar que a Cultura se encontre prestes a dar o grande passo no tempo, em direção aquela condição unificada e perfeita, plenamente integrada e consciente, que se observa nos períodos áureos da Civilização, mesmo porquê, historicamente, o Relógio Cósmico já aponta para a hora de retorno de um ciclo desta natureza para a humanidade.

O Adepto e Sua Arte: Uma Visão Sobre os Fatos

Como costuma posicionar-se o adepto perante sua ciência?

Para o astrólogo, sua arte representa antes de tudo uma forma de compreender o mundo na sua diversidade, e vir a coordenar em alguma medida a este caos, através de uma linguagem rica em símbolos e referenciais complexos.

Deste modo, primeiro pretende ele compreender e classificar a natureza das coisas, para depois buscar organizar a variedade que se manifesta aos seus olhos num segundo momento.

Tudo isto deve sugerir uma certa maestria diante da vida, e não deve ser à toa que todos os Mestres iluminados são astrólogos naturais.

Porém, até que ponto os astrólogos têm podido realmente dizer que compreendem de fato a matéria com a qual trabalham? Pois, na grande maioria das vezes, eles sequer apresentam uma teoria acerca da verdadeira natureza dos elementos que se dispõe manejar, para tão somente apresentar à sua consciência e aos eventuais inquiridores, seja uma vaga manifestação de fé apriorística e quase religiosa (não fosse "pagã"), amparada numa visão particular de axiomas herméticos antigos, ou senão alguma forma de estatística semi-científica que viria supostamente a corroborar a eficácia e o valor de sua doutrina. Contudo, quanto desta pretensa cientificidade não seria conformada pela própria fé que apresenta ele? Quanto se sabe, afinal, da capacidade humana de se auto-sugestionar e mesmo elaborar mundos através da própria focalização da mente em alguma esfera qualquer?

Porque, se a criação pode em alguma medida acontecer a nível físico, não poderia reproduzir-se no plano ainda mais sutil da mente? E se a mente não é ainda capaz de efetivamente criar, ela está neste entanto plenamente capacitada para transformar as coisas, tal como afirma a Tradição acerca de sua características e funções.

Trata-se portanto de uma questão dificilmente solucionável no seu nível, exigindo antes uma visão crítica de sua natureza. Ocorre, no entanto, que dificilmente se encontra um astrólogo com verdadeiras inclinações epistemológicas, isto é, disposto a encontrar a verdade através de uma fórmula mais plena e equilibrada, mais sábia e completa, como exigiria da fato uma doutrina que situa-se a meio caminho entre a fé e a ciência, quer dizer, no próprio campo da consciência em si.

Este fato –o conteúdo essencialmente consciencial da Astrologia– tem estado velado sob a ótica materialista que encobre os conceitos astrológicos mais essenciais, de modo que o pêndulo do exercício desta ciência tem sido dirigido quase exclusivamente para os elementos físicos (planetas, etc.), e isto, quiçá, como uma forma de encobertar o terror de não compreender a própria natureza dos elementos com os quais convive o astrólogo.

Isto significa que a Astrologia vive atualmente uma crise, ainda que para muitos pareça que ela está andando muito bem, obrigado. Mas o fato é que esta crise remonta já há muito tempo, de um lado, e de outro, o crescimento de sua aceitação superficial pouco representa na verdade para o enobrecimento de seu papel junto à sociedade e da própria sociedade em si.

Portanto, quando afirmamos acerca do estado de degeneração em que encontra esta doutrina, estamos a referir-nos a sua condição atual em relação à excelência dos conteúdos que originalmente a conformaram, e que por sua própria nobreza, permitiu a organização de toda uma sociedade humana segundo padrões verdadeiramente áureos de existência.

A Astrologia hoje é pouco mais do que um mixto de superstições e crenças frágeis em estatísticas e "efeitos", quando na verdade deveria representar a possibilidade de codificação do universo humano em suas potencialidade de realizações, em sua destinação e suas conquistas, no seu passado e seu porvir.

O complexo de informações contidos dentro de um esquema da natureza do Zodíaco pode ser assombrosamente revelador, quando devidamente compreendido e aplicado à existência humana como um todo. Em si mesmo, o Zodíaco pode não representar qualquer esfera única e maior, e ainda ssim cabe a ele uma posição central na realidade humana, em torno da qual tudo o que o homem conquista se desenvolve, seja como meta ou base de partida.

E no entanto, o astrólogo comum permanece em seu imobilismo tratando da sua ciência como uma vaca leiteira (animal que era, aliás, um símbolo celeste no Egito e na Índia), inerte e sem dinamismo a não ser para alimentar com seu leite o café da manhã. Este astrólogo não conhece ainda a possibilidade de fazer manteiga, yogurte e requeijão! Certamente ele já não é como o profano que mata a vaca para dispôr de suas partes mortas. Mas tampouco desenvolveu ainda os verdadeiros potenciais da doutrina que tem em mãos.

Ocorre que, em não compreendendo realmente as raizes de sua fé, tampouco poderá vir a organizar as coisas da forma como pretende, uma vez que todo futuro se encontra baseado no passado, quer dizer: toda a edificação carece de ter seus fundamentos solidamente fincados. E desta forma, sob o ponto de vista das doutrinas originais, a Astrologia termina por aparentar nada menos do que a simples caricatura de si mesma.

De fato, uma visão relativamente panorâmica das coisas, tal como se pretende apresentar nestes textos, deixará já bastante claro que, pese o fato de que todo o astrólogo almeje empregar sua ciência como um meio de conhecimento e coordenação das coisas, na prática o astrólogo comum emerge como um fisiológico "praticista", ao passo que o astrólogo esotérico, este sim, surge como um estruturalista profundo e consciente, apto a empregar seus conhecimentos com potenciais de efetivamente organizar as coisas a nível de raiz, e não meramente fixar-se em uma cadeia de pseudo influências externas, por vezes quase paranoicizantes, e amiúde servindo de esteio para a auto-indulgência.

Tendo isto em vista, estima-se pelo menos a possibilidade de que a Astrologia se encontre em crise, e que sua contribuição dentro da cultura atual, tal como vem sendo colocada por seus adeptos, representa qualquer coisa de muito duvidosa em seu valor formativo e mesmo informativo; para não dizer que é nulo do ponto de vista transformador; salvo alguns pouco ensaios que emergem aqui e acolá como forma de enriquecer a discussão e, pelo menos, aduzir algumas informações essenciais a serem oportunamente aplicadas em alguma escala.

De qualquer forma, o isolamento injusto permanece, e a doutrina tradicional mantém-se velada sob manto das superticões e de crendices que mais lhe servem como alfarrábio para fetiches, do que propriamente para compreender ao mundo em sua natureza real.

É de fato surpreendente: a ciência anda às apalpadelas em procura da compreensão dos fatos, enquanto a religião (e os astrólogos) esbanjam seus conteúdos essenciais em delírios dogmáticos. Quando, afinal, se tentará a compreensão, quando se buscará questionar acerca das razões e se virá a ensaiar por fim a um grande concerto, onde se equilibrem as diferentes vozes que proclamam aqui e lá a sua habilidade para oferecer alguma coisa acerca da Verdade –esta Verdade multifacetada da qual cada segmento possui apenas um fator?

Portanto, que os sete cegos que cercam ao grande elefante da Verdade, comecem a brincar de roda em torno de seu objeto de conhecimento, a fim de apalparem também as outras partes do mesmo. Somente assim, quer dizer, através da emergência de um homem aberto e flexível, é que uma visão justa do Todo poderá emergir da complexidade da cultura universal que legamos de nossos antepassados, acrescida agora pelos elementos elaborados pelas novas descobertas do homem. Quando tudo isto vier a se encontrar e agrupar da forma como se necessita, então sim, uroboros tendo fechado seu ciclo, uma nova civilização terá lugar, e digna deste nome, porque integrada e fecunda em cada uma de suas manifestações.

A Grande Encruzilhada

Diversas visões tem alimentado, na verdade, a prática e a teoria astrológica. Cabe demonstrar, então, que existem duas grandes vertentes de abordagens, que podem ser em princípio classificadas de profana e sagrada, embora com a criação da "psicologia profunda" surjam categorias intermediárias.

Observemos então com atenção o seguinte texto do astrólogo mundial André Barbault:

"...na tradição existem duas correntes gerais, uma que, de Pitágoras aos neoplatônicos, se encontra na linha simbólica do astro como valor de signo, e a outra, "física", que passa por Aristóteles, Ptolomeu e Morin, para a qual o astro é uma causa eficiente (para Kepler existia um todo físico, psicológico e metafísico)."
Assim, temos uma corrente que vê os elementos da astrologia como símbolos, e outra que vê nos astros causas eficazes em sí próprias -e alguns sábios ainda buscam conciliar ambas as óticas. Naturalmente, isto pode fornecer visões radicalmente distintas no tocante ao livre-arbítrio humano. Prossigamos sobre isto:

"Para os defensores da segunda via, de espírito tradicionalista, é natural que deva estar-se atento às necessidades do determinismo, pois o tratamento dos movimentos celestes se encontra naturalmente agravado de um necessitarismo de tipo científico. Entretanto, a essência da Astrologia se encontra mais além desta estrita sintaxe astronômica. O mundo do signo é o de um ser matemático cuja figura se encontra investida de uma grande dignidade ontológica. O Mundo é espelho de sí mesmo, reproduzindo o interior no exterior por projeção de um e identificação de outro, estabelecendo-se uma relação de similitude entre o agente e o paciente, o signo e a coisa significada, o conteúdo semântico e a figura sintática, a atividade significante e a natureza, sendo esta, numa dupla homologia, a correspondente do microcosmo e do macrocosmo."
Barbault enfatiza pois o caráter simbólico da astrologia, concluindo na unidade entre as duas visões, e torcendo por maiores iluminações:

"No estado atual da Astrologia, a circularidade do signo e da causa se fundem na mais tenebrosa incerteza. Todavia, não existe, e nem pode existir, ruptura entre um e outro que permita que cesse o equívoco entre eles e que possa extrair-se a parte suscetível de pertencer a cada um. Sem dúvida será necessário um longo caminho no conhecimento para sairmos deste sistema astrológico."
Afinal, mesmo enfatizando o símbolo e a analogia, e com isto a liberdade, não se pode descartar a existência de energias cósmicas, que podem ou não influenciar o homem, mas sobretudo de ordem espiritual, diríamos. Pois, ainda que as estrelas distantes possam exercer influência física sobre nós, resta a questão da eventual presença de Hierarquias espirituais nas estrelas, tal como afirma a Astrologia Esotérica. É verdade que coisa semelhante se afirma acerca das esferas de nosso sistema solar, sagradas ou não, e nestas sabemos que nem remotamente a ciência aponta possibilidades de haver vida.

Seja como for, o caminho para a liberação do homem comum, é pela via simbólica, porque esta lhe devolve a liberdade. Até que, fortalecido, ele possa conectar-se positivamente com as forças cósmicas, atuando em planos sutis, mediante a invocação livre de suas energias superiores.

A Questão do Nome

Edificada sobre preceitos lógicos, matemáticos, psíquicos e outros, a Astrologia representa uma das primeiras organizações doutrinais elaboradas pelo homem.

É sabido que a Astrologia consistiu, na Antiguidade, um fundamento doutrinal sobre o qual foi erigido todo o saber humano em seus diversos ramos. Ao fornecer o conhecimento dos temperamentos humanos e das tendências próprias dos ciclos históricos, o conhecimento astrológico não só ampliou os horizontes da medicina, da pedagogia, da sociologia, da filosofia e das artes, como também orientou a conduta e o destino de povos e indivíduos através de História.

Naqueles tempos, como ainda hoje em certas nações, observava-se uma unidade intrínseca na manifestação cultural do homem, encontrando-se sintetizada e representada pela ciência que então lhes representava um papel original e matriz. Na verdade, somente a Astrologia, com a sua própria unidade interna e ao mesmo tempo representando o aspecto multifacetado da Criação e as diversas dimensões da vida humana, pode conservar a cultura sob uma forma monolítica e preservar a unidade cultural através da manutenção da ordem social e da coexistência pacífica e adequada do elemento humano em sua própria natureza. Por isso, a cada qual o seu papel, conforme sua peculiar natureza.

E ainda que se quisesse dividir o conhecimento entre o sagrado e o profano, entre o temporal e o eterno, ainda assim, por trás de tudo subsistiria a Astrologia a representar os padrões infinitamente variáveis para as miríades de formas de conduta que podem tomar, seja o indivíduo, seja uma nação, sejam as tendências globais mais animadas, como até mesmo as formas menos desenvolvidas de vida, pois a Astrologia representa princípios que permeiam todos os reinos da Natureza, do mais básico e original ao mais complexo e desenvolvido.

Assim é que, dentro de tais perspectivas oniabarcantes, uma visão de universo diferente da forma geocêntrica, pouco ou nenhum significado haveria de ter (como ainda hoje, de certa forma, não muito tem representado); pois tal enfoque; antes antropocêntrico, representa, mais que qualquer coisa, uma postura eminentemente filosófica, sem quaisquer adversões, em essência, com as realidades "puramente científicas". Daí ser importante se preservar a consciência da permanente relatividade, seja nos fatos da ciência, como nos postulados da filosofia.**

Estas duas grandes polaridades do saber humano, a princípio encontravam-se íntegras e coesas; porém, no decurso da História, sofreram uma aguda dissociação, decorrente em parte de uma necessidade própria de aperfeiçoamento. Foi assim que, com o progressivo desenvolvimento da ciência empírica e racional, da técnica e do método lógico, e ainda com o crescente grau de especialização -portanto de isolamento- das diversas áreas científicas, perdeu-se por algum tempo o senso comum, devido a uma prática estrita do empirismo (e que naturalmente viria a se esgotar pela própria expansão e aprofundamento), tendo como conseqüência o relegar-se aos métodos analógicos da Astrologia por serem então considerados como "anti-científicos", ou pelo menos, desacordes aos conceitos de uma época.

A este século, no entanto, tem cabido o que se observa como o início do resgate de uma cultura unificada e universal. Este importante trabalho vem sendo realizado paulatinamente dentro da própria ciência, através do estudo crítico do conhecimento científico feito pela Epistemologia (dentre aqueles que mais tem contribuído para isto, cabe cita os nomes lapidares de Einstein no campo da Física, o de Jean Piaget na Psicologia genética, e o de Levi-Strauss na Antropolgia estrutural), ciência que, em sua recorrência multidisciplinar, tem edificando o seu conhecimento com o inestimável auxílio, entre outros, da ciência da Estatística. É instrutivo o exemplo de Michel Gauquelin, o psicólogo estatístico que empreendeu ampla investigações com o definido propósito de "desmistificar a Astrologia", e que ao fim de suas pesquisas, foi levado por suas conclusões estatísticas a tornar-se um dos mais fortes defensores desta ciência (seu caso estaria longe de ser único). O autor apresenta o resultado em sua obra A Cosmopsicologia.

Com efeito, muito do que antes se consideraria eventualmente como sendo de "caráter remoto" nos métodos e nas origens da Astrologia, já não representa impecilho para que se avalie a sua realidade empírica e para que, em conseqüência, se afetive o seu emprego, uma vez que tanto a Ciência moderna como a Astrologia, já compartilham sejam de métodos semelhantes de análise, seja de uma visão própria da relatividade dos fenômenos.

É importante relevar que a causa desta evolução, foi o próprio auto-questionamento a que teve de se submeter o conhecimento científico, ao dar-se conta de que, perseverando sempre numa abordagem "empírica" –e já não encontrando respostas– e buscando uma explicação lógica para os fatos da existência -e terminando invariavelmente num abismo- percebeu que partia de um pressuposto, agora inadiavelmente questionado: o de que a realidade pudesse ser apreendida racionalmente e que se poderia encontrar uma explicação meramente lógica e causal para as coisas, sempre dentro de um plano que convencionaria denominar de "o real" ou "empírico".

O que de sobremodo interessa à Metafísica neste particular, é que a procedência acima mencionada tem sido realizada não como uma incursão a um domínio "a priori" e paralelo, ou mesmo como um exercício de metodologia experimentalista sem maiores conseqüências -o que, de resto, nada constituíriam em si de pré-científico– mas impelida por uma necessidade evolutiva de abarcar novos campos do real.

Tudo isto resultaria, por fim, numa maior flexibilidade da Ciência, e hoje, na medida em que sucumbem estes últimos dogmas, antevemos muitas novas portas a se abrir, sobretudo no sentido de u'a maior humanização e valorização das faculdades humanas em geral, como temos observado no campo da Pedagogia, da Psicologia e da Sociologia, além de um acréscimo natural de métodos e de perspectivas dentro das chamadas "ciências exatas".

Tudo isto torna o momento histórico e cultural extremamente fascinante, podendo constituir-se, como muitos tem observado e como tudo o leva a crer, verdadeiramente no embrião de uma Nova Renascença Mundial.

O Papel da Astrologia na Sociedade Moderna

Assim como todo o saber evolui e altera-se, até mesmo em seus enunciados mais fundamentais, ou então, até mesmo em suas próprias noções de realidade (o que constitui, de certa forma, o significado próprio da Iniciação enquanto evolução da consciência.), transformando-se e refundindo as ciências, de igual forma a Astrologia, evolucionando junto com a humanidade, evolue em seus enunciados, sua técnica e mesmo em seu emprego.

Mais, ainda que permaneça inalterável em seus fundamentos e insubstituível na sua aplicação, tem sido proposto que, em um momento em que as ciências primam por uma unificação, e no qual a Humanidade exige maior integridade quando pressentimos uma futura hegemonia cultural em todos os aspectos da vida, substitua-se o desgastado e arcaico termo "astrologia" que, ao designar-se como "a ciência dos astros", queda-se nitidamente insuficiente para abranger à vasta gama de relações que comporta esta ciência, sobretudo porque, em sua maior aplicação, implica, ao lado das associações quantitativas de seus valores e conteúdo, incluir em seu referencial a todas as relações de valores análogos encontrados no seio da natureza, nisto consistindo a sua importância integradora, seu aspecto qualitativo ou intensivo, ao lado de sua função extensiva e quantitativa.

De um lado, relações lineares e distintas, configurando o plano da síntese ou da associação dos opostos, e de outro, a conformação de valores análogos, porém em diferentes reinos e/ou planos de existência (sendo ambos os níveis passíveis de fusão). Como por exemplo, a extensa relação entre uma determinada nota musical e seu equivalente matemático, psíquico, mineral, vegetal, animal, humano, anatômico, fisiológico, cósmico, espiritual, vibratórico, fomal, de cores, aromas, épocas, etc.; enfim, todos aqueles valores "psico-motores" que são afins entre si.

Por isto é que, na medida em que uma palavra deva exprimir e sintetizar todo o conteúdo que almeja expressar, indicar ou aludir, propôs-se a adoção do termo "Cosmobiologia" (="ciência" ou "o estudo da vida do Cosmos"), para designar a ciência que trata do amplo campo de relações e mútua influência psico-física dos diferentes campos do Cosmo. Eis como define o termo o seu próprio fundidor:

COSMOBIOLOGIA: "Vocábulo empregado nos meios científicos para definir a Antiga Ciência dos Sábios: a Astrologia. Naturalmente, não se trata da Astrologia profana, tal como muita gente a concebe, mas da Astrologia ESOTÉRICA, isto é, o sentido profundo que existe no seio desta Ciência. Serge R. de la Ferrière, As Grandes Mensagens.

Ora, o que nos parece próprio neste termo, é que o vocábulo "vida", enquanto atributo, possui não apenas um extenso dinamismo, como também suficiente flexibilidade para abarcar toda e qualquer manifestação do Universo, podendo até mesmo, num ou noutro sentido, significar propriamente "existência". Portanto, a Cosmobiologia ressalta, desta forma, por um lado todas as relações básicas entre distintos campos com análoga atuação, e de outro, o da recíproca combinação e interação de valores essencialmente dessemelhantes. Isto porque a Astrologia, ou a Cosmobiologia, sempre foi a ciência das Sínteses e das Analogias, revelando o seu conteúdo por meio do simbolismo de uma Cosmogonia de significação universal.***

Infere-se de tudo isto que, sob este aspecto, a Astrologia possa incluir, uma vez mais, além do seu próprio e amplo referencial que por tradição possui, também a linguagem multidisciplinar das modernas ciências, readquirindo, desta forma, a sua dupla função estrutural-diretiva e reassumindo o seu extenso potencial psico-pedagógico que, por excelência, sempre lhe pertenceu. Mesmo porque nenhuma outra ciência jamais ofereceu ao homem tamanhas possibilidades no exercício conjugado da técnica e da imaginação.

*Publicado no Boletim da FEEU, Primavera de 1993, Porto Alegre, Brasil.
** O aparente contraditório com afirmações onde se favorece a abordagem geocêntrica (ou mesmo heliocêntrica), representa apenas níveis distintos de enfoques da questão.
*** Nisto, a pretensão de reunir o científico e o esotérico tampouco é fortuita, como temos observado ao longo deste estudo; ressalvando-se talvez, no tocante ao nome Cosmobiologia, uma eventual tendência de identificar "vida" à pretensa influência das estrelas.

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